Olá a todos, hoje dia 03 de Julho efectuamos uma visita ao Museu dos Lanifícios da Covilhã.
Começamos por visualizar um filme, sobre o enquadramento da Covilhã, da Serra da Estrela e das fábricas de lanifícios. Vimos, que a Serra contribuiu de forma fundamental, para que as fábricas se instalassem na Covilhã, o facto de a Serra ser uma fonte de riqueza em água foi determinante. As fábricas situavam-se entre as ribeiras da Carpinteira e da Goldra, e a Covilhã ficou conhecida no século XIX, como o centro histórico dos lanifícios em Portugal. Tivemos também oportunidade de visualizar no mesmo filme, a passagem da Real Fábrica dos Panos, ao quartel e mais tarde ao Instituto, que se transformou na actual Universidade da Beira Interior. A Real Fábrica dos Panos, foi fundada pelo Marquês do Pombal em 1764 (actualmente são as instalações do Museu dos Lanifícios, parte integrante da Universidade da Beira Interior). Também tivemos oportunidade de ver, um resumo com as várias fases porque passa a lã (tosquia feita na Primavera, colhida, lavada, cardada e fiada) e os instrumentos utilizados na época. Já com estas bases, iniciámos a visita propriamente dita.
Em primeiro lugar vimos a lã suja, a lã lavada, cardada e finalmente penteada. Visualizamos alguns objectos em ferro, encontrados durante as escavações feitas (relógio do sol – relógio da fábrica, fechaduras, chaves, cardas manuais, cardos naturais apanhados no monte). Em seguida, encontrava-se a carda cavalete, que tinha já um local para o funcionário se sentar enquanto executava a operação e a lã era mergulhada em azeite, para melhor deslizar. Passámos á roda de fiar, processo este executado por mulheres, para o fio ficar com uma nova resistência e passar para as caneleiras. Nas caneleiras o trabalho era executado por crianças (Nota Informativa: em 1755 deu-se o terramoto de Lisboa e a Covilhã foi a segunda cidade mais atingida, ficando nessa altura muitas crianças órfãs e em troca de comida e dormida vieram a trabalhar na Real Fábrica dos Panos, nas caneleiras). Visualizamos um tear da época (finais do século XIX, inícios do século XX) com lançadeira, onde era colocada a canela (proveniente das caneleiras), este tear manteve-se original sendo apenas uma pequena parte reconstruída para poder estar completo no museu. Este processo era familiar, dado que a mulher trabalhava na roca de fiar, as crianças nas caneleiras e os homens no tear.
Visualizamos uns painéis, que estavam dispostos na mesma sala, onde constavam fotografias da fábrica Capitão Simão Pereira da Silva (privada) datada de 1803, situada em frente á Real Fábrica dos Panos (estatal) e que foi ligada a esta última por uma ponte (ainda existente – arco em pedra). No mesmo painel havia uma fotografia com o registo da escala de trabalho da época. Em seguida, vimos fornalhas em pedra, que eram abastecidas a lenha e onde eram inseridas caldeiras em cobre, que atingiam os 90 a 100º C, tinham um sarilho (manivela) que fazia a rotação do tecido e homens com rodos mexiam o banho de tingimento, para que o tinto não se depositasse no fundo, o que iria impedir de realizar um tingimento uniforme. Na época, era aí que os tecidos para os fardamentos eram produzidos e posteriormente tingidos.
Passamos por uma passagem estreita, onde se situava o antigo tanque (canal em pedra), para uma sala que manteve o chão original com mais de 250 anos, onde ainda são visíveis os canais naturais, onde naquela altura passava a água. Nesta sala encontrava-se uma bobadeira, que faziam as meadas de lã, uma roda de fiar vertical (Século XVIII) e também continha uma exposição com os utensílios usados no final da idade média. Existia um painel com a filial da Real Fábrica dos Panos (actualmente é o edifício da Câmara Municipal do Fundão), construída na época devido á falta de mão-de-obra existente na Covilhã. Nesta fábrica em 1803, trabalhavam 281 pessoas (de acordo com os registos existentes), no entanto este número atingia as 6000 pessoas, já que muitas pessoas trabalhavam em casa. Nesta sala vimos também um casal em madeira, que trabalhava em conjunto com uma urdideira em madeira, para fazer a teia e posteriormente vimos um tear com 250 anos manual (igual ao que temos no Safurdão, com a diferença em que o exposto tinha um chicote para fazer deslizar a lançadeira). Vimos as caldeiras feitas em cobre, no caso do tingimento ser a cor azul e em estanho, no caso do tingimento ser em cor vermelha. Nesta altura utilizavam as propriedades dos materiais, para que o tingimento fosse o mais eficaz possível. Os tingimentos eram feitos nestas duas cores, pois os fardamentos eram confeccionados em vermelho e azul. Existiam 10 caldeiras, 1 para vermelho e 9 para a cor azul, uma vez que nos fardamentos predominava a cor azul. Nessa mesma sala vimos painéis com os 4 processos a que a lã era submetida: escolha, batidela, lavagem e imersão.
Passámos para o corredor das fornalhas, onde 10 bocas eram abastecidas a lenha por 1 só homem, com ajuda de um atiçador (pau grande em ferro). Nas fornalhas o tingimento era feito por ebulição com temperaturas a rondar os 90 a 100º C e existia um carro de fermentação com tingimento a frio 40 a 50ºC, este ultimo era outro tipo de tingimento. Enquanto que no primeiro o tecido entrava e saía, no tingimento de fermentação o tecido podia ficar no Inverno 1 a 2 meses e no Verão 1 a 2 semanas. Depois vimos o garrafão, que servia para armazenar urina humana - há 250 anos atrás, a urina servia como alternativa ao ácido, para ajudar a fixar o corante, esta urina era recolhida de todos os funcionários da fábrica. Vimos em seguida uma râmula do sol, que era para obter o comprimento e a largura desejada do tecido. Para isso o tecido era esticado e preso nuns ganchos em ferro. No mesmo corredor estava a tábua de engomar em bronze, onde o vapor entrava por baixo e saía por cima através de orifícios, o tecido era colocado 10 a 20cm de altura, nunca tocava na tábua (pois esta atingia temperaturas elevadíssimas). Vimos um painel com símbolos, com os quais eram marcadas as ovelhas na altura da tosquia, facilitando a escolha da lã para o ano seguinte. Passamos á sala da tinturaria das Dornas, com 7 poços com tingimento a frio 3 poços com tingimento a quente. Todos os corantes utilizados eram de origem vegetal, excepto o vermelho que era de origem animal. (Cochonilha – bicho que habitava nos cactos importados do México – actualmente utilizado para o fabrico dos batons de senhora). A Cochonilha era um vermelho muito carregado e era usado um produto vegetal – Granza – para aclarar a cor vermelha, obtendo assim a cor pretendida. Todos os produtos de origem vegetal, vinham de colónias Portuguesas e Espanholas. A cor azul resultava do anil/ Indigo, o corante era feito com auxílio de um almofariz. Com o decorrer dos anos surgiram novas plantas, de onde eram extraídos corantes: Pastel, Urzela, Sumagre, Pau do Brasil, Pau Amarelo, Casca de Cebola, Casca de Noz e Mimosa. Visualizamos uma talha, que servia para reserva da água dos trabalhadores, para o azeite e para a urina. Vimos a fornalha em cobre completa, com capacidade para 4000 a 5000 litros de água, era mudada várias vezes ao dia, até á descoberta da colher escumadeira, que servia para retirar as impurezas e assim diminuir o número de vezes de mudança de água.
Para recuperar toda da história deste Museu, foram feitas pesquisas exaustivas, recorrendo aos arquivos existentes na Torre do Tombo em Lisboa. Todos os objectos existentes no Museu são um testemunho vivo de toda a história.
Em primeiro lugar vimos a lã suja, a lã lavada, cardada e finalmente penteada. Visualizamos alguns objectos em ferro, encontrados durante as escavações feitas (relógio do sol – relógio da fábrica, fechaduras, chaves, cardas manuais, cardos naturais apanhados no monte). Em seguida, encontrava-se a carda cavalete, que tinha já um local para o funcionário se sentar enquanto executava a operação e a lã era mergulhada em azeite, para melhor deslizar. Passámos á roda de fiar, processo este executado por mulheres, para o fio ficar com uma nova resistência e passar para as caneleiras. Nas caneleiras o trabalho era executado por crianças (Nota Informativa: em 1755 deu-se o terramoto de Lisboa e a Covilhã foi a segunda cidade mais atingida, ficando nessa altura muitas crianças órfãs e em troca de comida e dormida vieram a trabalhar na Real Fábrica dos Panos, nas caneleiras). Visualizamos um tear da época (finais do século XIX, inícios do século XX) com lançadeira, onde era colocada a canela (proveniente das caneleiras), este tear manteve-se original sendo apenas uma pequena parte reconstruída para poder estar completo no museu. Este processo era familiar, dado que a mulher trabalhava na roca de fiar, as crianças nas caneleiras e os homens no tear.
Visualizamos uns painéis, que estavam dispostos na mesma sala, onde constavam fotografias da fábrica Capitão Simão Pereira da Silva (privada) datada de 1803, situada em frente á Real Fábrica dos Panos (estatal) e que foi ligada a esta última por uma ponte (ainda existente – arco em pedra). No mesmo painel havia uma fotografia com o registo da escala de trabalho da época. Em seguida, vimos fornalhas em pedra, que eram abastecidas a lenha e onde eram inseridas caldeiras em cobre, que atingiam os 90 a 100º C, tinham um sarilho (manivela) que fazia a rotação do tecido e homens com rodos mexiam o banho de tingimento, para que o tinto não se depositasse no fundo, o que iria impedir de realizar um tingimento uniforme. Na época, era aí que os tecidos para os fardamentos eram produzidos e posteriormente tingidos.
Passamos por uma passagem estreita, onde se situava o antigo tanque (canal em pedra), para uma sala que manteve o chão original com mais de 250 anos, onde ainda são visíveis os canais naturais, onde naquela altura passava a água. Nesta sala encontrava-se uma bobadeira, que faziam as meadas de lã, uma roda de fiar vertical (Século XVIII) e também continha uma exposição com os utensílios usados no final da idade média. Existia um painel com a filial da Real Fábrica dos Panos (actualmente é o edifício da Câmara Municipal do Fundão), construída na época devido á falta de mão-de-obra existente na Covilhã. Nesta fábrica em 1803, trabalhavam 281 pessoas (de acordo com os registos existentes), no entanto este número atingia as 6000 pessoas, já que muitas pessoas trabalhavam em casa. Nesta sala vimos também um casal em madeira, que trabalhava em conjunto com uma urdideira em madeira, para fazer a teia e posteriormente vimos um tear com 250 anos manual (igual ao que temos no Safurdão, com a diferença em que o exposto tinha um chicote para fazer deslizar a lançadeira). Vimos as caldeiras feitas em cobre, no caso do tingimento ser a cor azul e em estanho, no caso do tingimento ser em cor vermelha. Nesta altura utilizavam as propriedades dos materiais, para que o tingimento fosse o mais eficaz possível. Os tingimentos eram feitos nestas duas cores, pois os fardamentos eram confeccionados em vermelho e azul. Existiam 10 caldeiras, 1 para vermelho e 9 para a cor azul, uma vez que nos fardamentos predominava a cor azul. Nessa mesma sala vimos painéis com os 4 processos a que a lã era submetida: escolha, batidela, lavagem e imersão.
Passámos para o corredor das fornalhas, onde 10 bocas eram abastecidas a lenha por 1 só homem, com ajuda de um atiçador (pau grande em ferro). Nas fornalhas o tingimento era feito por ebulição com temperaturas a rondar os 90 a 100º C e existia um carro de fermentação com tingimento a frio 40 a 50ºC, este ultimo era outro tipo de tingimento. Enquanto que no primeiro o tecido entrava e saía, no tingimento de fermentação o tecido podia ficar no Inverno 1 a 2 meses e no Verão 1 a 2 semanas. Depois vimos o garrafão, que servia para armazenar urina humana - há 250 anos atrás, a urina servia como alternativa ao ácido, para ajudar a fixar o corante, esta urina era recolhida de todos os funcionários da fábrica. Vimos em seguida uma râmula do sol, que era para obter o comprimento e a largura desejada do tecido. Para isso o tecido era esticado e preso nuns ganchos em ferro. No mesmo corredor estava a tábua de engomar em bronze, onde o vapor entrava por baixo e saía por cima através de orifícios, o tecido era colocado 10 a 20cm de altura, nunca tocava na tábua (pois esta atingia temperaturas elevadíssimas). Vimos um painel com símbolos, com os quais eram marcadas as ovelhas na altura da tosquia, facilitando a escolha da lã para o ano seguinte. Passamos á sala da tinturaria das Dornas, com 7 poços com tingimento a frio 3 poços com tingimento a quente. Todos os corantes utilizados eram de origem vegetal, excepto o vermelho que era de origem animal. (Cochonilha – bicho que habitava nos cactos importados do México – actualmente utilizado para o fabrico dos batons de senhora). A Cochonilha era um vermelho muito carregado e era usado um produto vegetal – Granza – para aclarar a cor vermelha, obtendo assim a cor pretendida. Todos os produtos de origem vegetal, vinham de colónias Portuguesas e Espanholas. A cor azul resultava do anil/ Indigo, o corante era feito com auxílio de um almofariz. Com o decorrer dos anos surgiram novas plantas, de onde eram extraídos corantes: Pastel, Urzela, Sumagre, Pau do Brasil, Pau Amarelo, Casca de Cebola, Casca de Noz e Mimosa. Visualizamos uma talha, que servia para reserva da água dos trabalhadores, para o azeite e para a urina. Vimos a fornalha em cobre completa, com capacidade para 4000 a 5000 litros de água, era mudada várias vezes ao dia, até á descoberta da colher escumadeira, que servia para retirar as impurezas e assim diminuir o número de vezes de mudança de água.
Para recuperar toda da história deste Museu, foram feitas pesquisas exaustivas, recorrendo aos arquivos existentes na Torre do Tombo em Lisboa. Todos os objectos existentes no Museu são um testemunho vivo de toda a história.
A VISITA FOI SEM DÚVIDA PARA TODAS UMA EXPERIÊNCIA ÚNICA, ONDE PUDEMOS CONHECER NÃO SÓ A HISTÓRIA DOS LANIFÍCIOS PORTUGUESES, COMO TAMBÉM A HISTÓRIA DE PORTUGAL!



